Colossenses – parte 3 (aula de 21/08/2011)

[por Maria Cristina Gomes]

Capítulos 3 e 4 – Esboço

VI – Exortação à santidade e ao amor fraternal – 3.1-17.

VII – Exortação quanto aos deveres domésticos, à oração, e às relações sociais – 3.18 a 4.6

VIII – Conclusão e saudações – 4.7-18.

Paulo volta em Colossenses 3:1-4 a afirmar a suficiência de Cristo e a supremacia das coisas lá do alto. É notável que em contraste com proibições e ordenanças aqui, ele exorta os irmãos a colocarem suas mentes nas coisas lá do alto.

À primeira vista, parece que as exortações “buscai as coisas lá do alto” (v.1) e “pensai nas coisas lá do alto” (v.2) são no sentido de evitar algum pecado ou tentação carnal. Na verdade, o contrário das coisas “lá do alto” são as ordenanças que Paulo rejeitou em capítulo 2. Capítulo 3:1-4 é ligado a tudo que veio antes pelo “portanto”  que começa a frase. Lembrando sua afirmação em 2:12, “fostes ressuscitados” e 2:13, “estáveis mortos”, Paulo reafirma os mesmo pontos em 3:1 e 2. Este trecho serve, portanto como uma conclusão para tudo que Paulo estava dizendo antes. Ele reafirma a importância de Cristo como único meio de salvação e a suficiência e segurança da nossa confirmação nEle. O perigo de começar a se importar com valores fora de Cristo é que eles tiram a preeminência dEle. “Quando fazemos de Cristo e da revelação Cristã apenas parte de um sistema religioso ou filosófico, deixamos de dar a Ele a preeminência. Quando buscamos ‘perfeição espiritual’ ou ‘realização espiritual’ por meio de fórmulas, disciplinas ou rituais, nós regredimos ao invés de avançar”.

Em seguida, Paulo afirma que a preocupação dos Cristãos quanto àquilo que poderia lhes tirar a vida eterna deve ser voltada para coisas como a “ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena”, a mentira e o preconceito (vv. 8-11). Contra estas coisas Paulo aconselha não rigor na dieta ou a submissão a ordenanças, mas o revestimento de Cristo e do caráter Cristão, em “misericórdia, bondade, humildade, mansidão e longanimidade”, incluindo o perdão e o amor mútuo. Paulo continua a exortar os Colossenses no sentido de se fortalecerem através da Palavra e de louvores e cânticos. Em seguida ele dá conselhos práticos sobre a vida conjugal e familiar e em relação a servos. Paulo termina a epístola com várias saudações e outras recomendações práticas.

Na parte prática, Paulo dá instruções para os pais, esposas, maridos, filhos, servos e senhores. Orienta também em relação à oração, à pureza e liberdade cristã.

‘Ressuscitar’ e ‘morrer’ com Cristo são fatos conclusos que fazem parte do passado da vida dos cristãos (já e estais). ‘Morrer’ e ‘ressuscitar’ soam como sendo elementos antagônicos quando da composição da idéia, mas ‘em Cristo’ são elementos que se complementam. Primeiro é necessário conformar-se com Cristo na sua morte, e só então, ressurge com Ele em uma nova vida, sendo um novo homem. Tanto o ressurgir quanto o morrer só ocorre quando se está ‘COM’ ou ‘EM’ Cristo.

Autodisciplina – A Batalha tem seu início na mente.

Paulo argumenta que uma vez que nós nos encontramos em nova condição de vida, devemos também ter uma nova perspectiva. Cl. 3:1.

  1. Relembre-se de sua identidade (v. 1), devemos por o foco em nossa nova condição em cristo.
  2. Renove seu modo de ver a vida (v.2), nós devemos focar nossa mente nas coisas lá do alto.
  3. Reconheça que sua velha vida acabou (vv. 3-7), as mudanças não acontecerão se nós mantivermos vínculos com nossos velhos modelos de vida e conduta.
  4. Abandone velhos hábitos, v.8, nós devemos nos despojar das coisas antigas.
  5. Substitua as coisas velhas por novas, vamos nos livrar de velhos hábitos apenas quando colocarmos novos em seu lugar.

Relacionamentos e Influências (3:1-18 a 4:6)

  1. Podemos influenciar outros à distância
  2. Podemos influenciar pessoas que estão perto de nós.
  3. Podemos influenciar outros através de um relacionamento muito intimo.

Paulo nos fala de relacionamentos na vida do lar (v. 18 a 21), em seguida fala sobre o relacionamento entre os colegas (v.3:22-4:4). Deus pôs cada um de nós em uma cadeia de relacionamentos: família, superiores, evangelistas, etc. Estes círculos servem como uma base de testes, onde um dá credibilidade para o seguinte. O nosso sucesso terá  o respeito daqueles que nos conhecem bem.

Capítulo 3

(v.1) Este capítulo tem inicio com uma conclusão que decorre de elementos apresentados em versículos anteriores: “Portanto…”. A idéia da carta não fica estagnada ou restrita a um só capítulo ou versículo. A idéia transcende e engloba toda a carta, e, para entendê-la, é necessário analisar a carta como um todo, e não somente algumas partes ou referências.

Quando Paulo disse: “Portanto, se…”, ele está fazendo referência a uma idéia anterior para introduzir outra. Observe:

Paulo expôs no versículo vinte do capítulo anterior que: ‘se eles estavam mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo’, quais eram os motivos que prendiam os cristãos as ordenanças como se eles ainda vivessem no mundo? Eles estavam mortos, ou não? As ‘coisas’ que são de cima pertencem àqueles que morreram e ressurgiram com Cristo. Por quê? A resposta está no versículo 3. As ‘coisas’ deste mundo são rudimentos, ordenanças, regras, comportamentos, etc, pertencentes à vida que o cristão tinha no pecado, ou seja, aquela vida que possuía antes de morrermos e ressurgir com Cristo.

(v.2) Enquanto vivos para o pecado, os homens buscam viver segundo os princípios do mundo, e se ocupam de ordenanças como: não faça isto ou aquilo. Estes entendem que tais elementos podem ‘melhorar’ a condição deles diante de Deus. Ledo engano. A partir do momento que o homem morre com Cristo, em seguida passa a viver para Deus (ressurge), e é necessário buscar as coisas que são de cima, e ocupar-se em pensar nelas.

Quais são as ‘coisas’ de cima? E por que Paulo faz referência ao local onde Cristo está assentado? Para obter uma resposta é necessário considerar o que Paulo escreveu aos cristãos em Efésios: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo (…) E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais,em Cristo Jesus”  ( Ef 1:3 ; Ef 2:6 ). É possível vislumbrar a grandeza que é ressuscitar com Cristo? Se o homem já ressuscitou com Cristo, isto significa que está assentado nos lugares celestiais, onde Cristo está assentado à destra de Deus. O ‘assentar’ indica descanso! Da mesma forma que ao terminar a obra da criação Deus descansou no sétimo dia, Jesus, ao terminar a sua obra de redenção, assentou-se à destra do Pai. Isto significa que a obra de Jesus também é completa “Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus” ( Hb 10:12 ).

Os sacerdotes ao oferecerem sacrifício pelos seus semelhantes em momento algum podiam tomar assento, visto que, o que eles faziam não podia aperfeiçoar os pecadores. Cristo ao se oferecer em sacrifício, e sendo sumo sacerdote dos bens futuros, ao fazer oferta de si mesmo pode assentar-se à destra de Deus nas alturas Por isso Paulo concita a que pensemos nas coisas que são de cima, pois de lá temos recebido todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo. Enquanto as pessoas que vivem segundo o curso deste mundo se ocupam de ordenanças, o cristão deve se ocupar em pensar das coisas que recebemos de Deus, tais como: redenção, regeneração, eleição, justificação, santificação, predestinação, herança, etc ( Ef 1:1 -14).

Se salvos em Cristo, precisamos morrer para o mundo

(v.3) O motivo é bem simples: já estamos mortos e a nossa vida está escondida com Cristo em Deus! Compare com ( Cl 2:20 e Cl 3:1 ). Não há como desvincular o ‘morrer’ e o ‘ressurgir’ com Cristo. Só é ressurreto dentre os mortos aqueles que de uma vez por todas morreram para aquilo que estavam retidos.

(v.4) Este versículo trata do futuro de todos os cristãos. No momento em que Cristo se manifestar haveremos de nos manifestar com ele em glória, pois assim como Ele é, haveremos de ser em glória. O apóstolo Paulo disse que toda a criação geme na expectativa da revelação dos filhos de Deus, que é a igreja (corpo) de Cristo em glória ( Rm 8:19 ). Porém, antes de ocorrer a adoção, ou a redenção deste corpo, entendemos que, qual Cristo é, os cristão também são neste mundo: filhos da Luz ( 1Jo 4:17 ).

(v.5) A condição do cristão perante Deus é a de assentados nos lugares celestiais, e é nas coisas concernentes a esta posição que deve pensar. O cristão já morreu e ressurgiu com Cristo para a glória de Deus:

“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo…”;

“Se, pois, estais mortos com Cristo…”

Agora, deve mortificar os seus membros (mortificai, pois,…). As premissas  dos versos 1 e 3 não podem ser desprezas enquanto se analisa o versículo 5. O cristão adquiriu uma condição perante Deus, entretanto, ainda está sobre a terra e possuí um corpo material (vossos membros). Paulo pede aos cristãos que ‘mortifiquem’ os seus membros considerando o que Deus já realizou em suas vidas. Ao se abster da prostituição, da impureza, das afeições desordenadas, da vil concupiscência e da avareza, o cristão está mortificando o seu corpo mortal.

Não podemos concluir que a morte com Cristo e a ressurreição com ele advém da abstenção das impurezas aqui relacionadas, pois muitas religiões apregoam estes princípios e seus seguidores se aplicam a observá-los em busca de salvação, no entanto, não morreram, não ressuscitaram e não estão em Cristo. O morrer e o ressurgir com Cristo, ou seja, ser uma nova criatura advém da graça de Deus por meio do evangelho e dá fé que tais verdades nos proporcionam. Agora, o mortificar o corpo diz de elementos comportamentais e não espirituais. Este versículo apresenta as mesmas considerações do versículo: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” ( Gl 5:25 ). A morte do velho homem e a ressurreição em uma nova criatura é uma obra proveniente de Deus, e agora deve seguir o estipulado por Paulo na carta aos ( Ef 4:1 e 17). Os versículos seguintes elucidam melhor estas verdades.

(v.6) Este versículo é pequeno, mas a idéia que ele contém é grandiosa e complexa.

“Pelas quais coisas…”

Quais coisas? A resposta é: “a prostituição, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria”. A ira de Deus virá sobre os filhos da desobediência por eles andarem nas práticas que foram enumeradas, mas a condenação é proveniente da natureza que participam por serem descendentes de Adão. A condenação de Deus no Éden em Adão, e a ira procede das ‘coisas’ enumeradas pelo apóstolo Paulo. Não são as ‘tais coisas’ que trouxe condenação sobre todos os homens, e sim, a origem delesem Adão. Aira diz do julgamento de obras que se dará no Grande Trono Branco. O versículo possui dois elementos distintos que devem ser alvo de análise: a ira de Deus e os filhos da desobediência.

Os filhos da desobediência:

Os filhos da desobediência são os filhos de Adão, ou seja, os filhos da desobediência tiveram origem na desobediência de Adão “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores…” ( Rm 5:19 ). Se os filhos da desobediência tiveram origem na desobediência de Adão, segue-se que pelo juízo de Deus eles já estão condenados “E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação…” ( Rm 5.:16 ).

“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” ( Jo 3:18 ). Mas aqueles que crêem podem dizer conforme o apóstolo Paulo: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estãoem Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” ( Rm 8:1 ). Observem que sobre os filhos da desobediência pesa uma condenação, não porque praticam as coisas pelas quais vem a ira de Deus, mas porque são filhos segundo a desobediência de Adão, filhos nascido: “… do sangue,(…) da vontade da carne, (…) e da vontade do homem…” ( Jo 1:13 ). Sobre os filhos da desobediência pesa uma condenação, e por mais que se procure ter uma vida regrada é impossível livrar-se de tal condenação se não for por meio da cruz de Cristo.

A ira de Deus:

“Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus” ( Rm 2:5 )

Este tema é um pouco complicado, e por isso, é preciso iniciar o comentário através de Romanos 2:5. Paulo alerta que as pessoas com o coração impenitente entesouram ira para um dia específico. Será o dia da ira e o dia da manifestação do juízo de Deus. Desde que Jesus veio ao mundo está a manifestar-se aos homens a justiça de Deus, mas haverá um dia marcado para manifesta-se o juízo de Deus. Desde que o homem pecou foi estabelecido o juízo de Deus e o homem está sob condenação, mas isto não é manifesto. Mas, no diaem que Deusmanifestar a sua ira, também haverá de manifestar-se o juízo e quando se deu este juízo. Neste dia todos os homens verão qual é a condenação para aqueles que estão sob juízo. O juízo de Deus trouxe condenação (Rm 2. 16) e a justiça de Deus concede justificação ( Rm 1:17 ). Isto posto, já é possível falar de alguns princípios que são pertinentes à ira de Deus.

“Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” ( 1Ts 5:9 ).

A ira de Deus fala de punição. Além de o incrédulo estar condenado por ser filho da ira, ou filho da desobediência em Adão (perdição), ele também estará sujeito à ira em decorrência de suas obras, isto porque ‘Deus recompensará a cada um segundo as suas obras’ ( Rm 2:6 ). Para os filhos da luz há o tribunal de Cristo, e para os filhos da desobediência haverá o Grande Trono Branco.

“A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade” ( Rm 2:7 ).

A indignação e a ira de Deus recairá sobre aqueles que não obedeceram a verdade do evangelho

Como interpretar Romanos 2:7 ? Observe: “Com perseverança em fazer o bem” é um termo acessório da oração, ou seja, é um aposto. Aposto é um termo acessório de uma oração que tem a função de ampliar, explicar, desenvolver ou resumir a idéia contida numa oração ou em parte dela. A oração sem este termo integrante ficaria redigida assim: “A vida eterna aos que (…) procuram glória, honra e incorrupção”. A vida eterna não é alcançada por aqueles que praticam o bem, antes ela é alcançada por aqueles que procuram glória, honra e incorrupção, sendo que tais coisas só se encontram em Cristo.

Agora, após ter encontrado incorrupção em Cristo, o homem deve perseverar em fazer o bem, pois haverá de receber o bem e o mal que houver feito por meio do corpo no tribunal de Cristo. Observe que a idéia exposta no versículo sete é complementada no versículo oito:

“Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade” (Romanos 2:8)

A indignação e a ira de Deus recairá sobre aqueles que não obedeceram a verdade do evangelho, e que, portanto são contenciosos e desobedientes à verdade. A ira de Deus permanece por serem arredios ao evangelho, e não por não praticarem o bem com perseverança. Mas, se não obedeceram ao evangelho, estes haverão de receber tribulação por também terem obrado o mal, e para isso não há acepção de pessoas. Pelas quais coisas vêm a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;

Concluindo: A ira de Deus virá sobre aqueles que não se abstêm das vis concupiscências deste mundo, ira que recai sobre os filhos da desobediência de Adão.

(v.7) Este versículo contém a mesma idéia que Efésios 5:8 ):

“Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” ( Ef 5:8 )

‘Em outro tempo’ refere-se ao tempo em que por natureza se era filho da desobediência, ou seja, éreis trevas. ‘Nas quais’ refere-se ao comportamento desprezível que os filhos das trevas possuem. Após comparar os elementos que compõe os dois versículos, verifica-se que ‘andar’ fala de questões comportamentais, e ‘viver’ fala de qual natureza o homem pertence (luz ou trevas; carne ou Espírito).

“Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito” Gálatas 5: 25.

Aqueles que, após nascerem da água e do Espírito, passaram a viver em Espírito, e, por tanto, são espirituais, também deve andar, ou seja, a ter um comportamento a altura de sua nova natureza. Em outro tempo andávamos em concupiscências, pois vivíamos segundo o pecado. Por natureza éramos trevas, e andávamos como filhos das trevas. Hoje é diferente: “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” ( Rm 6:4 ). Ao cremos em Cristo, morremos com ele e ressurgimos e passamos a viver uma nova vida por meio de Cristo.  Como fomos ressuscitados e vivemos em novidade de vida, devemos também andar em novidade de vida..

(v.8) Paulo convoca os cristãos a experimentarem um novo patamar na conduta cristã. Antes todos andavam segundo o curso do mundo, mas agora há o dever de se desfazer de tudo que era pertinente ao velho homem que foi crucificado com Cristo: ira, cólera, malicia, etc. O cristão deve se despojar, desfazer de tudo que era pertinente a velha criatura, que foi morta na cruz de Cristo e não mais vive, mas Cristo vive nos que creem ( Gl 2:20 ). Segue-se que agora deve se desfazer das coisas que pertenciam ao velho homem.

(v.9) A mentira é um tipo de comportamento pertinente ao velho homem, pois o novo homem é segundo a verdade do evangelho, o que o torna livre. Livre do velho homem, da velha natureza e despido do comportamento desprezível segundo o pecado.

(v.10) Há uma nova ‘roupa’ para aqueles que estãoem Cristo. Ocristão JÁ se despiu e JÁ se vestiu do que é pertinente ao novo homem “E vos revestistes do novo…”. O novo homem é segundo a imagem de Deus! Como? A transformação que ainda esta sendo submetidos os filhos de Deus é quanto ao entendimento, e isto sim é um processo, pois o objetivo de Deus é que experimentemos a sua boa vontade.

Mas quanto a filiação, o novo homem é criado segundo Deus “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 ). O novo homem é criado segundo o poder de Deus, e de Cristo temos recebidos a plenitude “E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade” ( Cl 2:10 ). Qual a Adão são os filhos de Adão, qual Cristo são os filhos de Deus ( 1Co 15:48 ). Sendo Cristo a imagem de Deus “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” ( Cl 1:15 ), novamente estabeleceu o propósito eterno de fazer convergir em Cristo todas as coisas, sendo nós os que cremos, feitos a imagem e semelhança de Deus “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” ( Gn 1:26).

(v.11) Qual é o único lugar que não há diferença entre os homens? No corpo de Cristo, visto que Ele disse ao repartir o pão: “E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” ( 1Co 11:24 ). O corpo de Cristo estaria repartido, ou seja, cada um deles eram o corpo de Cristo. O corpo de Cristo consegue abrigar a todos os homens e ele não faz distinção entre os seus. Cristo passa a ser tudoem todos. Qualqueraspecto que se queira evidenciar, devemos considerar primeiramente a Cristo, o apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão ( Hb 3:1 ).

(v.12) No versículo dez Paulo demonstrou que o cristão foi vestido do novo, e aqui ele recomenda revestir de misericórdia, benignidade, humildade, etc.

Qual a diferença entre vestir e revestir? Qual é a vestimenta do novo homem? Qual o motivo de ser necessário revestir? Antes de conhecer a Jesus as vestes do velho homem eram trapos de imundícies, hoje, o cristão cobre-se de salvação e é envolvido pelo manto da justiça de Deus ( Jó 29:14 ; Is 61:10 ). Ao ser criado em verdadeira justiça e santidade, o novo homem não é achado nu a semelhança de Adão, mas está vestido do que Deus lhe providenciou. Do novo homem o cristão já está vestido, agora, por ser eleito, santo e amado precisa revestir-se de misericórdia, benignidade, humildade, mansidão, longanimidade ( Gl 5:22 ).

(v.13) Paulo interpõe a pessoa de Cristo como exemplo.

(v.14) Ademais, o amor não deve faltar na vida do cristão, pois n’Ele está o vínculo perfeito “E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele” ( 1Jo 4:16 ).

A cidade de Colossos hoje é apenas um sítio arqueológico. No seu lugar foi erguida pelos turcos a cidade de Honaz, em local próximo às escavações.

(v.15) A paz de Deus excede a todo entendimento. Por meio de Cristo temos paz com Deus, e isto foi realizado por meio do corpo dele. Por meio da fé nos unimos a Cristo, e isto se dá por meio da sua morte. Após a morte ressurgimos um novo homem e em paz com Deus “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz” ( Ef 2:15 ). Fomos chamados por meio do corpo de Cristo e passamos a ter paz com Deus. Agora fazemos parte deste corpo que é composto por pessoas de diferentes classes sociais, etnias, línguas, nações, etc. A paz que temos com Deus transcende e alcança os nossos semelhantes, o que prova que somos nascidos dele.

(v.16) A palavra de Deus deve fazer morada no crente “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia” ( Tg 3:17 ). Após adquirir sabedoria conforme expõe o apóstolo Tiago, o ensinar e o admoestar se dá através de salmos, hinos e cânticos, ou seja, através da palavra de Deus.

(v.17) O louvor pertence a Deus por meio de Cristo ( Ef 2:10 ). O contexto muda completamente e Paulo passa a exortar gruposem particular. Paulodetermina as mulheres cristãs que residiam em colossos a que fossem sujeitas aos seus maridos, o que é conveniente no Senhor. Não há nesta carta qualquer referência que esclareça os motivos pelas quais o apóstolo Paulo solicita esta submissão àquelas irmãs em particular.

A carta aos cristãos de Efésios possui tal ordenança e outros elementos, mas é temerário nos socorrer de outra carta para tentar elucidar o propósito de Paulo em dar tal recomendação. Por quê? Os cristãos de Efésios viram o apóstolo Paulo pessoalmente e os cristãos de Colossenses não. Isto porque a carta possui destinatários e serve quase que exclusivamente àquela comunidade cristã. Observe que Paulo é bem genérico na exortação.

(v.18, 19) Paulo recomenda aos maridos o amor para com as esposas e que não se irritassem com elas. É bem genérico, e não é de bom alvitre tentar dar um motivo pela qual os maridos se irritavam com suas esposas.

(v.20) Paulo recomenda a obediência aos filhos, e arremata que tal atitude agrada ao Senhor.

(v.21) Paulo aponta aos pais o motivo pela qual não se deve irritar os filhos: para que não percam o ânimo.

(v.22) “Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus”. Analisando as determinações verifica-se um parâmetro que preserva a autoridade na sociedade e na família. Quando Paulo fala àqueles que estão sob autoridade, ele aponta o Senhor (esposa, filhos, servos). Quando Paulo fala aos detentores de autoridade (marido, pais, senhores), ele não fala como ao Senhor, mas aponta a causa pela qual não se deve tomar tal atitude.

(v.23) “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens,”. Deixando as questões pertinentes a autoridade de lado, Paulo recomenda a todos os cristãos que tudo o que fizessem que fizessem como ao Senhor.

(v.24) “Sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis”. Tudo o que o cristão faz é serviço ao Senhor. Hoje somos escravos da justiça, conforme Paulo diz aos Romanos (v. 17 ; Rm 6:18 ).

Capítulo 4 – “A Graça Seja Convosco”

Exortação à oração (4:2-6). Paulo começou a carta falando das suas orações constantes pelos irmãos de Colossos (veja Colossenses 1:3, 9), e a terminou exortando a eles que continuassem também em oração, “vigiando com ações de graças” (4:2). Paulo mesmo precisava das orações dos irmãos Colossenses: ele estava na prisão por causa da pregação de Jesus (4:3). Porém, ao invés de pedir orações a favor das suas algemas, Paulo pensava numa coisa mais urgente – a pregação da palavra de Cristo (4:3-4)! Paulo se preocupava com a vontade de Deus antes de sua própria vontade. Como Paulo, devemos orar que Deus nos dê oportunidade e coragem para cumprirmos a vontade dele!

Enquanto os Colossenses oravam pelo sucesso de Paulo no evangelho, estes também precisavam “pregar” pelo seu comportamento e por suas palavras, aproveitando oportunidades de “responder a cada um” (4:5-6; veja 1 Pedro 3:15). É necessário que a vida do cristão e as palavras dele sejam de acordo com a verdade. Isto exige dele muita oração e estudo cuidadoso da palavra de Deus.

Notícias de Paulo (4:7-9). Desejando aliviar os corações preocupados dos Colossenses, Paulo enviou Tíquico e Onésimo com “o expresso propósito” de falar da situação dele e dos outros presos conhecidos por eles. Paulo podia ter segurado estes dois “irmãos amados” para servirem a ele mesmo na prisão (veja Filemom 13). Porém, ele se preocupou mais com os Colossenses do que consigo mesmo, e assim enviou os dois para servirem a eles.

Saudações pessoais (4:10-18): A família de Deus é caracterizada por seu amor (veja João 13:35), e todos os irmãos que estavam com Paulo enviaram seu amor na forma de saudações individuais (4:10-14). A saudação de Epafras devia ter sido particularmente tenra para eles ouvirem, sendo que ele era mesmo um membro da igreja em Colossos, e que ele tinha ensinado a eles muito no evangelho (veja 1:7). Paulo relatou o cuidado especial que Epafras teve para com os irmãos, e como ele se esforçou sempre em oração por eles e por outros (4:12-13). Sem dúvida, Paulo conheceu e amou os irmãos Colossenses através do que ele ouviu deles pela boca de Epafras.

Por fim, Paulo enviou suas próprias saudações escritas em amor por sua própria mão, desejando a eles a graça de Deus, e lembrando dos irmãos em outros lugares que iriam ler esta carta também (4:15-18). Mesmo que as cartas contenham informação pessoal para as pessoas imediatas, elas foram escritas sob a inspiração do Espírito Santo, e assim precisam ser lidas pelas igrejas como autoridade de Deus (4:16; veja 2 Pedro 1:19-21; 3:14-16; 1 Coríntios 7:17; 14:33, 37).

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