Período Interbíblico – O que acontece entre Malaquias e Mateus (parte 1)

Pouca gente percebe ou pelo menos se manifesta quando, ao ler a Bíblia numa sequência de livros, a história do povo hebreu de repente sofre uma guinada absurda entre o último livro do Antigo Testamento e o Novo Testamento. Eram vassalos dos persas, de repente os romanos estão no domínio. Não tinham rei, mas no NT temos um iracundo Herodes, que era rei, mas também não. Tínhamos escribas, como Esdras, e de repente surgem Fariseus e Saduceus, fora Zelotes e Sicários. Sem falar em uma comunidade grega em meio aos judeus e pouquíssima menção do Egito, antes forte presença na cultura dos Hebreus. O que aconteceu nesse espaço de tempo? Afinal, quantos anos se passaram?

Alexandre - Jado

Acompanhe aqui a trajetória do povo hebreu num período de silêncio profético de pouco mais de 400 anos, o chamado período intertestamentário ou interbíblico, onde consideráveis mudanças culturais e filosóficas aconteceram à nação de Israel e que influenciaram os escritos e doutrinas neotestamentários, além de percebermos que, mesmo sem palavras proféticas, a mão de Deus permaneceu guiando a história.

Caso este estudo seja útil a você, fique à vontade para utilizar o conteúdo, tendo a boa fé de citar este blog como fonte, bem como a bibliografia, disponível na última parte deste conteúdo. Bom proveito.

  • Introdução

O período interbíblico ou intertestamentário se trata de um espaço de tempo de cerca de 430 anos que separa o último relato do Antigo Testamento e o primeiro do Novo Testamento. Neste período ocorre o chamado “silêncio profético”, pois não há escritos canônicos nestes anos. É comum que para a maioria dos leitores da Bíblia isso seja abstraído, mas para os que se dispõe a estudar as escrituras com maior afinco, se trata de um evento de grande importância na compreensão plena dos eventos e doutrinas descritos no Novo Testamento, obviamente atrelado aos escritos do antigo testamento.

Primeiramente, é bom listar as principais mudanças que ocorrem entre AT e NT:

Periodo Interbiblico

Embora não tenhamos relato bíblico deste período, existem profecias a respeito de alguns acontecimentos históricos que se deram nesta época. O objetivo deste estudo é, baseado tanto no teor histórico quanto nas menções e profecias bíblicas, trazer um esclarecimento a respeito desse período, que julgamos vital para a melhor compreensão dos eventos históricos do Novo Testamento, bem como as influências filosóficas que chegaram à Judéia e que se refletiram na formação da doutrina da igreja, tanto no ministério apostólico quanto no primeiro século.

  • Escritos históricos dos Judeus

A mais fiável fonte histórica do período interbíblico vem de um historiador Judeu nascido por volta do ano 37 AD, Yosef ben Mattityahu, também conhecido como Josefo. Era da casa sacerdotal e se opôs à Grande Revolta Judaica, tentando mediar a questão entre revoltosos e os generais romanos Vespasiano e Tito, passando a ser muito benquisto por eles, a ponto de lhe conferirem cidadania romana, quando passou a ser chamado Flávio Josefo. Produziu duas obras de suma importância para a história judaica. A primeira foi “A Guerra dos Judeus”, escrito em aramaico (mais tarde transcrito para o grego), onde narra fatos acontecidos na época da revolta dos Macabeus até pouco depois da destruição da cidade e do templo na Grande Revolta Judaica. Já “Antiguidades”, escrito em grego, narra a história do povo judeu desde o Genesis até o início das revoltas no ano 60 AD. No Brasil, recentemente a Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) lançou uma compilação contendo as duas obras completas, sob o título “História dos Hebreus”, podendo ser facilmente encontrada em livrarias evangélicas.

Outro registro histórico está nos livros de I e II Macabeus. Estes livros fazem parte do cânon católico romano da bíblia, mas não são aceitos como canônicos nem pelos judeus e nem pelos cristãos protestantes. Seu valor histórico, contudo, é genuíno. Narra com detalhes a resistência de Judas Macabeu, seu pai e seus irmãos contra a dominação selêucida, revolta motivada especialmente no que tange aos assuntos religiosos, até a vitória judia sobre os selêucidas, estabelecendo um breve período de reinado autônomo em Israel sob a dinastia dos Macabeus, que passam a ser chamados de Hasmoneus. Embora tenham assumido o reino, os Hasmoneus não eram da linhagem do rei Davi, mas permaneceram no poder até serem dominados pelos romanos, em 63 AC.

 

  • Escritos Bíblicos que fazem referência ao período

As revelações do profeta Daniel, que constam em seu livro, são a principal fonte bíblica de informações sobre este período, já que mencionam fatos ainda vindouros na sua época, sendo que muitos deles aconteceriam no intervalo intertestamentário. As profecias se encontram em 2:31-35 (sonho de Nabucodonosor), capítulo 7 (visão dos 4 animais), capítulo 8 (visão do bode contra o carneiro) e capítulo 11 (profecia da guerra entre o rei do norte e o rei do sul). Em nosso estudo, verificaremos a relação entre essas visões e profecias com os fatos históricos.

A primeira referência a acontecimentos deste período aparece nos relatos de Daniel, na interpretação do primeiro sonho do rei babilônico Nabucodonosor (Dn. 2:31-35), que descrevia uma estátua gigante feita de diferentes materiais, que era destruída por uma grande rocha. Na interpretação, Daniel esclarece que a rocha era o Reino de Deus que seria estabelecido sobre toda Terra, enquanto as partes da estátua representavam reinos humanos, alguns deles relativos ao período interbíblico, que iremos analisar.

Estatua_Sonhos_Nabucodonozor

Cabeça de Ouro – Império babilônico, de 605 AC a 539 AC, atual Iraque. A nação de Judá foi exilada nesse período, em 597 AC. Jerusalém e o templo foram obliterados em 586 AC, após a rebelião de Zedequias, que se encontra nos livros da Bíblia (II Rs. 25:18-20 e 26:5-7; II Cr. 36:11-17; Jr. 39:1-7).

Peito e Braços de Prata – Império Medo-Persa, de 539 AC a 331 AC, atual Irã. Após a queda da Babilônia, a capital do império passa a ser Susã, onde o profeta Daniel provavelmente foi sepultado (530 AC) e onde acontece a história relatada no livro de Ester (479 AC). O primeiro retorno dos judeus para Jerusalém (Zorobabel, 538 AC), o segundo (Esdras, 458 AC) e o terceiro (Neemias, 422 AC) também aconteceram nesse período.

Ventre e coxas de bronze – Dominação Grega, de 331 AC a 168 AC, que não chegou a se estabelecer como um império unificado, uma vez que o grande conquistador Alexandre da Macedônia faleceu prematuramente. Após a morte, as conquistas foram divididas entre seus 4 maiores generais. Israel ficou inicialmente sob domínio egípcio, na dinastia dos Ptolomeus, e mais tarde sob os Selêucidas, contra os quais se revoltou em 167 AC, vindo a se tornar novamente um reino independente em 142 AC, sob governo da dinastia dos Hasmoneus (ou Macabeus).

Pernas de Ferro – Império Romano, de 168 AC a 476 AD, atual Itália. Conquistou Jerusalém em 63 AC, que ficou sob seu domínio até 638 AD. Jesus Cristo nasce nesse período e também nessa época todo o Novo Testamento é escrito.

A visão da estátua é correlacionada com a Visão dos 4 animais e com a Visão do bode contra o carneiro, ambas relacionadas com os governos humanos que viriam a seguir. estão visões vão permear nosso estudo até a última parte, iniciando a seguir.

Leão com Asas – Babilônia (Dn. 7:4)

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O leão é o mais nobre dos animais, bem como o ouro da cabeça da estátua é o mais nobre dos metais, embora não seja o mais resistente. As asas conferem ao leão ainda maior poder e glória, sendo um símbolo muito comum da cultura babilônica (um leão alado com rosto humano é comum na mitologia babilônica e persa, chamado Manticore). O império babilônico, embora opressor como qualquer inimigo, não era tão violento e sanguinário como os Assírios, que desterraram as 10 tribos do norte de Israel para que fossem extintas, no que tiveram êxito, além de ser historicamente um reino de glória. Podemos notar que há um interesse babilônico não apenas de manter os judeus, mas de aproveitar todo aspecto cultural deles, como se pode ver no livro de Daniel, bem como é permitido que continuassem praticando sua religião. Na visão de Daniel, as asas do leão são arrancadas, provavelmente um aspecto que apontava a queda gradativa do poder do império após a morte de Nabucodonosor.

Urso – Medo-Pérsia (Dn. 7:5)

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Embora não tão nobre quanto o Leão, o urso é mais forte, resistente e voraz, sendo o maior animal carnívoro terrestre (tal qual a prata tem maior resistência que o ouro). A força do império Persa obliterou os babilônicos, bem como a Lídia e o Egito, as 3 grandes potências à época, representadas pelas 3 costelas entre os dentes do animal. Essa força persa era suficiente para garantir que as nações dominadas não fossem capazes de se levantar contra o império, o que veio a calhar para os Judeus. Além disso, os soberanos medo-persas eram hábeis políticos e faziam concessões aos dominados, dando grande autonomia política e religiosa aos reinos vassalos, na intenção de evitar revoltas e guerras internas. É por esta razão que Ciro e Dario não apenas decretaram liberdade aos judeus como os incentivaram ao retorno a Jerusalém.

Carneiro – Medo-Pérsia (Dn. 8:1-4)

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Outro símbolo da Medo-Pérsia, que Daniel menciona na sua visão da cidadela de Susã. O carneiro tem 2 chifres, sendo que um cresce primeiro, mas o segundo supera o crescimento do primeiro, numa provável representação da formação do império, onde os Medos exerceram soberania sobre os persas num primeiro momento, mas acabaram sendo absorvidos por eles. Esta visão de Daniel trata exclusivamente da queda do império persa diante da Grécia. No ano de 430 AC, praticamente 100 anos antes da queda persa, o profeta Malaquias fazia seu clamor contra a apatia espiritual dos Judeus, sendo a última palavra profética vinda do Senhor por mais de quatro séculos, até o nascimento de Jesus.

Leopardo – Grécia (Dn. 7:6)

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O Leopardo é um dos carnívoros que tem o bote mais rápido. Os gregos dominavam a fundição do bronze para fazer suas armas. A visão de Daniel exagera na hipérbole, com um Leopardo de 4 cabeças e ainda com 4 asas, tudo para tentar deixar claro como este reino será avassalador num curto espaço de tempo. O símbolo das 4 cabeças aponta para 4 governantes, uma vez que o grande conquistador Alexandre Magno, “O Grande”, reinou por apenas 12 anos, mas nesse curto espaço de tempo conquistou boa parte da Grécia, Egito, Pérsia, Síria, Babilônia e Ásia Menor, chegando até o subcontinente indiano, uma façanha nunca vista no mundo da antiguidade. Os limites de seu reino iam do Mar Adriático até o rio Indo. Na sua morte, 4 de seus generais, após cerca de 47 anos de guerras internas, dividiram o reino entre si. Cassandro ficou com a maior parte da Grécia e Macedônia; Lisímaco dominou sobre a Frígia, Jônia, Lídia e grande parte da atual Turquia; a Seleuco coube a Babilônia, Susã e o centro do império Persa (atual Irã) e partes da Ásia Central; por fim, Ptolomeu ficou com o Egito e regiões adjacentes, o que incluía a Palestina e Judéia. Inicialmente, após a morte de Alexandre, Israel era domínio da dinastia Ptolomaica, vindo mais tarde a ser território selêucida.

Bode – Grécia (Dn. 8:5-7)

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Na visão de Susã, o carneiro representando a Pérsia é atacado por um bode unicórnio, que vem correndo em sua direção sem tocar o chão, e o mata com seu chifre poderoso. Este bode representa a Grécia, e o chifre representa Alexandre Magno, que comandou sua nação nesta conquista. Logo à frente, ainda na mesma visão, esse chifre cairá e brotarão outros 4 chifres, um paralelo com a visão do leopardo que possuía 4 cabeças.

 

  • Início da dominação Grega por Alexandre

Alexandre Magno, “O Grande”, sucedeu seu pai Filipe, no trono da Macedônia em 336 AC. Mesmo jovem, com apenas 20 anos, Alexandre já havia se tornado um perito militar e não teve dificuldade em unificar a Grécia em torno de si. Através de bem sucedidas campanhas, permitindo que logo começasse a expandir seu império, primeiramente na região dos Balcãs e península Grega, se voltou para Pérsia. No caminho, conquistou Damasco, Tiro e Sidon, se aproximando da Palestina e Jerusalém, no ano de 332 AC. Durante o cerco de Tiro, Alexandre enviou mensageiros ao então sumo sacerdote Jado (ou Jadua), solicitando: 1) Que Israel fornecesse homens para suas tropas; 2) Que se permitisse comércio livre entre o exército macedônio e Jerusalém; 3) Que lhe fosse dada toda a ajuda, assim como eles haviam dado a Dario III (que se tornaria o último imperador persa). A carta ainda trazia uma recomendação ao sumo sacerdote de refletir bem se preferiria estar ao lado do vencedor ou do vencido. Entretanto, Jado respondeu que os judeus juraram vassalagem aos persas e que por isso não podiam pegar em armas contra Dario, mencionando que trair juramentos como esse já havia custado muito caro a eles, como quando Zedequias rompeu com a Babilônia.

Alexandre Magno

Alexandre Magno ou “O Grande”, subjugou os maiores impérios de sua época num curtíssimo período de 12 anos

Embora não fosse a resposta que Alexandre queria, não significava que os Judeus pretendiam resistir ao novo governo, mas um inimigo histórico de Israel tentou incitar Alexandre contra Jerusalém: Sambalate, o governador de Samaria, que já havia resistido a Neemias na época da reconstrução dos muros de Jerusalém (Ne. 2:10). Ele, que já era de idade avançada, contava com as graças de Dario III, mas não conseguia estender sua influência a Jerusalém, já que os líderes judeus tinham se blindado contra o culto misto dos samaritanos, estabelecido sob direção do rei assírio na reocupação do reino das 10 tribos desterradas Israel (II Rs. 17:24-34). Sambalate conseguiu que Manassés, irmão de Jado, se tornasse seu genro, mas a pressão dos líderes religiosos levaram Jado a afastar Manassés do serviço no templo, pois este não aceitou dispensar sua mulher samaritana. Manassés procurou a Sambalate e disse que, mesmo amando sua filha, não podia abrir mão do sacerdócio e se tornar um pária, mas seu sogro disse que convenceria o rei Dario a construir um templo semelhante a Jerusalém no monte Gerizim, em Samaria, e orientou a Manassés que convidasse outros sacerdotes judeus também excluídos do serviço pelos mesmos motivos para se agregarem a ele. Dario lhe prometeu que o templo seria construído assim que derrotasse Alexandre, o que nunca aconteceu, já que o rei grego desbaratou o exército persa, mesmo com um exército em menor número. Ao saber da derrota persa e da resposta de Jado a Alexandre, Sambalate trai Dario, indo a Alexandre com 8.000 homens para ingressar em seu exército, que o recebeu muito bem. Sambalate falou-lhe de Manassés e sobre os planos do templo que planejava constituir em Samaria, ao mesmo tempo em que caluniava os judeus com argumentos muito parecidos com os que usou contra Neemias: que Jerusalém era conhecida por ser uma cidade rebelde, com reis revoltosos e que não se submetiam a ninguém. Também afirmou que a construção de outro templo deixaria os judeus divididos e minaria a força de possíveis revoltas. Essas palavras pareceram bem a Alexandre, que ordenou que o templo fosse construído o quanto antes, ao mesmo tempo em que jurou que Israel sentiria sua cólera em breve. Enquanto o templo era construído em Samaria, Sambalate permaneceu com Alexandre durante todo o cerco de Tiro e dois meses no cerco de Gaza, quando morreu de velhice.

Ao final do cerco de Gaza, em 331 AC, Alexandre marchou contra Jerusalém. Sabendo disso, Jado convocou a cidade a um clamor ao Senhor, com orações e sacrifícios, buscando seu favor. Segundo Josefo, Deus falou a Jado em sonho que ele deveria receber a Alexandre com honra, que espalhasse flores pelas ruas, mantivesse os portões da cidade abertos e que fosse ao encontro do general com vestes sacerdotais, acompanhado por todos os demais, vestidos de linho branco. Quando Alexandre estava próximo, Jado lhe saiu ao encontro dessa forma e, para o espanto de todos, Alexandre se curvou em reverência a Yahweh, cujo nome estava na mitra na cabeça de Jado, e saudou ao sumo sacerdote. Os liderados por ele não entenderam, pois Alexandre não se curvava a ninguém, deus ou homem, a ponto de Parmênio, que era amigo próximo de seu rei, perguntar por que ele se curvava àquele homem, ao que Alexandre respondeu que não estava adorando ao sacerdote, mas sim ao Deus de quem Jado era ministro, pois havia sonhado com Yahweh nestas mesmas vestes, lhe garantindo que poderia prosseguir pois entregaria os persas nas suas mãos e ainda mais outros domínios. Jado recebeu a Alexandre na cidade, fizeram juntos sacrifícios no templo e lhe foi apresentado o livro do profeta Daniel, que continha profecias a seu respeito. Alexandre foi benevolente com os judeus, garantindo aos que quisessem se alistar no seu exército que poderiam praticar sua religião sem serem molestados, que todo judeu poderia viver segundo as leis dos seus antepassados e até mesmo isenção de impostos a cada 7 anos, no descanso da terra (Lv. 25:1-4), pedindo pouca coisa em contrapartida à vassalagem. Uma delas foi que todas as crianças judias do sexo masculino nascidas no espaço de 1 ano recebessem o nome “Alexandre”. Pouco tempo depois, sendo Jerusalém uma cidade vassala sem rei, o cargo de sumo sacerdote passou a ser praticamente o de regente da cidade. Esse cargo seria disputado por sua riqueza e prestígio, ficando a vocação religiosa em segundo plano.

Os samaritanos de Siquém, capital de Samaria e onde ficava o monte Gerizim com o templo, ao verem que Alexandre foi bondoso com os judeus, se apresentaram a ele também como judeus, mas não conseguiram os mesmos benefícios, embora já estivessem seguros pela ação de Sambalate. Curiosamente, os Samaritanos causaram problemas ao domínio grego quando, anos mais tarde, assassinaram Andrômaco, governador da Judéia estabelecido por Alexandre, sendo, por isso, punidos com morte e exílios, e a região foi repopulada por macedônios. A construção do templo samaritano prosseguiu, mas foi interrompida com a morte de Alexandre em 323 AC, ficando incompleto até a sua destruição em 128 AC.

 

  • A inimizade entre judeus e samaritanos

Os samaritanos se mantiveram em conflito com os judeus desde a reconstrução de Jerusalém e se tornaram inimigos odiáveis pelo seu culto misto, pois neste e em vários outros momentos se diziam judeus quando isto lhes favorecia, mas se opunham a eles e se aliavam a adversários e dominadores hostis a Jerusalém quando isso era conveniente, inclusive na assolação de Antíoco Epifânio, onde se afirmaram colonos persas. Os samaritanos tentaram replicar o templo de Jerusalém no monte Gerizim, que construíram com a ajuda de Alexandre Magno, mas foi destruído por João Hircano em 128 AC. Por várias vezes os samaritanos se aliaram aos adversários de Israel. Em cerca de 7 AC, no governo romano de Copônio, Samaritanos conseguiram entrar no templo por ocasião da páscoa e encheram a colunata do templo de ossos humanos para impedir a cerimônia.

Samaritana

Embora os judeus tivessem justas ressalvas aos samaritanos, eles não foram desprezados no ministério de Jesus

Com certa razão, por tudo isso, os judeus não se davam bem com os samaritanos. Para os judeus, chamar alguém de “samaritano” equivalia a uma ofensa pessoal (Jo. 8:48) e aos mestres da lei era proibido comer comidas vindas de Samaria ou mesmo dirigir a palavra a um deles (Jo. 4:9). A mulher samaritana confronta Jesus sobre a autoridade do templo do monte Gerizim (Jo. 4:19-20).

A imagem dos samaritanos só seria restaurada por Jesus, que não os excluiu de seu ministério, mas principalmente na parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37), a partir de onde o termo “samaritano” passou a ser sinônimo de misericórdia indulgente.


Parte 2: O domínio egípcio, a conquista pelos selêucidas e a “Abominação Desoladora”.

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